sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Pintando um quadro antigo


Que multidão é esta que vejo ao longe? Será que é dia de barbárie? Dia de matar mais um que nada fez de mal? Bom, já que não tenho nada melhor para fazer, tentarei me aproximar, só para ver a figura desfigurada do condenado.

Daqui não vejo seu rosto, mas pela cor vermelha predominante o rei não estava em um dia bom. Chutando por baixo, acredito que foram de quinze a vinte açoites.

Será que vocês podem me dar licença? Abaixem estes cotovelos, estão acertando meus rins. Só quero chegar mais perto para escutar o que o rei está falando. Puxa! Esse cara fez algo muito ruim com este povo mesmo. Veja só os rostos transtornados de raiva.

Caramba, o rei falou e eu não escutei. Culpa desse pessoal maluco gritando desesperados "Crucifica-o!!! Crucifica-o!!!". Já que não pode vencê-los, junte-se a eles. Crucifica-o!!!

Daqui não estão escutando, e olha que já estou ficando rouco de tanto gritar. Se ao menos existisse um gesto com as mão para este tipo de coisa. Sei-lá, vou tentar. Levo a mão à testa... deslizo para o centro do peito... passo pelo coração... trago para o lado direito... Espero que entendam.

Isso mesmo. Repitam! Repitam!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Locomovidos


Todo medo
é passageiro
Todo ser
é condutor

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

#33 Microconto

Meu mais novo amor veio dentro de uma caixinha torácica.

domingo, 27 de dezembro de 2009

O poeta e a poesia


Na poesia que te perdi, 
rebuscar-te-ei.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Quem tem sede?


Os estômagos roncam, as linguas pendem fora das bocas
clamam do alto das montanhas o socorro salpicado de sangue

Batem com seus cajados nas água de um mar vermelho
desesperados pelo bonança que não chegou depois da tempestade

Quem vem lá? Quem é este que promete a paz?
Qual o nome daquele em que nas orlas do manto me agarro?
Por que estou afundando enquanto creio?
Serão os lampejos no céu ou o grito dos famintos?

Escuto atento aos pés deste monte que ainda não saltou
Da boca do homem verte o maná
Comprimo meus olhos e contemplo suas costas
Eli! Eli! Lama sabactani?

"Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça,
porque eles serão saciados"
(Mateus, 5:6)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Todos os Nomes - José Saramago


Imagine um prédios descomunal, onde são registrados com letra de mão todos os nomes, sobrenomes e datas dos vivos ou mortos do mundo todo. Saramago imaginou, e registrou em um livro intitulado "Todos os Nomes".

O que me motivou a ler este livro foi exatamente o nome. O autor tem a peculiaridade de não dar nomes aos bois, logo pensei que talvez este livro fosse a explicação de seu estilo. Me enganei. Sr. José é o único nome tangível em todo o livro, mas José poderia ser qualquer um.

Uma outra característica marcante da bibliografia do autor (levando em conta tudo que já li dele até agora) é a romantização apocalíptica das coisas. Este livro não foge à regra. O protagonista desta obra trabalha na Conservadoria Geral do Registro Civil, onde tudo de todos é registrado e acaba por viver um romance imaginário com um dos nomes que o destino lhe entregou em mãos.

Dizer que é um livro denso seria redundante se lembrarmos que o autor é Saramago. Mas, alheio a isto, vale muito a pena lê-lo e recomendo para qualquer pessoa que queira vivenciar a singela vida de um homem, que vive escondido atrás de todos os nomes.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Feição da Flor


Sobre o amor
tiro uma lição
que perfeito como flor
não dura uma estação
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